Segunda, 14 de setembro de 2026
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Esporotricose em Gatos no Brasil: Sintomas e Tratamento

A esporotricose é uma micose transmissível de gatos para humanos que vem crescendo no Brasil — só em São Paulo, os casos felinos notificados aumentaram mais de 300% entre 2020 e 2024. Entenda os sintomas, como funciona o tratamento com itraconazol e por que o Ministério da Saúde passou a exigir notificação obrigatória da forma humana da doença.

Esporotricose em gatos.
Esporotricose em gatos.

A esporotricose é uma micose (infecção fúngica) transmissível de gatos para humanos, considerada uma zoonose negligenciada e em expansão no Brasil. O país é hoje apontado como o de maior incidência da doença na América Latina, com casos confirmados em praticamente todos os estados. Somente na cidade de São Paulo, o número de gatos notificados com a doença passou de patamares bem mais baixos em 2020 para 3.368 casos registrados em 2024, um aumento superior a 300% no período, segundo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa). No início de 2026, o Ministério da Saúde incluiu a forma humana da esporotricose na lista de doenças de notificação obrigatória, reconhecendo oficialmente o avanço da enfermidade.

O que é a esporotricose e por que os gatos são o principal transmissor

A esporotricose é causada pelo fungo Sporothrix, sendo a espécie Sporothrix brasiliensis — mais patogênica e de transmissão mais rápida — a principal responsável pela epidemia observada no país nas últimas décadas. O fungo é termodimórfico: vive no solo e em matéria orgânica em uma forma filamentosa, mas assume a forma de levedura ao entrar em contato com a temperatura corporal de um hospedeiro, causando a doença.

Os gatos têm papel central na disseminação da esporotricose urbana porque desenvolvem lesões com grande concentração do fungo, e hábitos naturais da espécie — como arranhar cascas de árvore e enterrar as fezes — favorecem o acúmulo e a disseminação do agente infeccioso. A transmissão para humanos e outros animais ocorre principalmente por arranhões, mordidas ou contato direto com a secreção das lesões de um gato doente. Cães raramente adoecem e dificilmente transmitem a doença.

Sintomas da esporotricose em gatos

  • Nódulos na pele que evoluem rapidamente para feridas abertas e profundas
  • Feridas com secreção, que não cicatrizam com facilidade
  • Lesões que se espalham pelo corpo do animal ao longo do tempo
  • Em casos mais avançados, comprometimento respiratório e sistêmico, já que a espécie S. brasiliensis pode causar quadros mais graves do que a esporotricose clássica

O diagnóstico em gatos segue protocolos laboratoriais ou critérios clínico-epidemiológicos, conforme orientação técnica conjunta publicada em 2026. Como a carga fúngica pode ser baixa em alguns casos, é possível haver resultado falso negativo em determinadas análises laboratoriais, por isso a avaliação de um médico-veterinário é essencial para o diagnóstico correto.

Como funciona o tratamento da esporotricose felina

O tratamento da esporotricose em gatos tem cura, mas costuma ser longo. O medicamento mais utilizado é o itraconazol, um antifúngico oral que deve ser prescrito exclusivamente por um médico-veterinário, que define a dose conforme o peso e a gravidade do quadro clínico do animal. Em casos de resposta insuficiente ao itraconazol isolado, protocolos combinados — como a associação com iodeto de potássio, ou a aplicação de anfotericina B diretamente na lesão — vêm sendo estudados por centros de pesquisa como o Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC/Fiocruz), com resultados favoráveis em casos refratários.

O uso de antifúngicos como o itraconazol nunca deve ser feito por conta própria. Além de exigir receita veterinária, o medicamento pode causar efeitos colaterais e exige ajuste de dose em animais com problemas hepáticos ou renais preexistentes — daí a importância do acompanhamento profissional durante todo o tratamento.

Duração do tratamento e taxa de abandono

Um dos maiores desafios da esporotricose felina é a duração do tratamento, que pode se estender por vários meses. Um estudo brasileiro com 773 gatos diagnosticados registrou abandono da terapia antes da conclusão em mais da metade dos casos, o que compromete a cura e favorece a transmissão contínua da doença para outros animais e para humanos.

Quanto custa tratar a esporotricose em gatos

Não existe uma tabela nacional única de preços para o tratamento da esporotricose felina, já que o custo depende da duração do protocolo (que pode passar de seis meses), da dose necessária conforme o peso do animal e de eventuais tratamentos combinados em casos refratários. Não há, atualmente, um programa nacional de enfrentamento da zoonose que garanta acesso amplo ao tratamento felino como política pública — a distribuição gratuita de itraconazol para tutores existe apenas em alguns municípios específicos, mediante receita veterinária, e não em todo o território nacional.

Segundo um guia técnico do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV-PR), quando o tutor não tem condições de comprar o medicamento, o médico-veterinário pode encaminhá-lo, com a prescrição e um documento de identidade, à Vigilância em Saúde Municipal, responsável por avaliar a liberação do medicamento pelo serviço público em algumas localidades.

A esporotricose transmite para humanos?

Sim. A esporotricose é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida de animais para pessoas — no caso, principalmente por arranhões, mordidas ou contato direto com a secreção das lesões de gatos infectados. Segundo boletins epidemiológicos estaduais, a doença humana concentra-se predominantemente em mulheres, o que é associado ao maior envolvimento delas nas atividades de cuidado com animais doentes no ambiente domiciliar. O tratamento em humanos é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Perguntas frequentes sobre esporotricose em gatos

O que é esporotricose em gatos?

É uma infecção fúngica causada principalmente pelo fungo Sporothrix brasiliensis, que provoca lesões de pele em gatos e pode ser transmitida para humanos e outros animais por meio de arranhões, mordidas ou contato com a secreção das feridas do animal doente.

A esporotricose em gatos tem cura?

Sim, a esporotricose tem tratamento e cura, mas costuma exigir uso prolongado de antifúngico, muitas vezes por vários meses, com acompanhamento veterinário constante. O abandono do tratamento antes do fim é comum e compromete a cura completa do animal.

Como um gato pode transmitir esporotricose para uma pessoa?

A transmissão costuma ocorrer por arranhões, mordidas ou contato direto com a secreção das lesões de um gato infectado. Por isso, recomenda-se evitar manipular diretamente as feridas de gatos doentes, já que isso aumenta o risco de infecção para o cuidador.

Qual é o tratamento indicado para gatos com esporotricose?

O tratamento mais utilizado é o itraconazol, um antifúngico oral prescrito por um médico-veterinário, que ajusta a dose conforme o peso e a gravidade do caso. Em situações mais resistentes, protocolos combinados com outros medicamentos podem ser considerados pelo profissional responsável.

Por que os casos de esporotricose em gatos estão aumentando no Brasil?

O crescimento está associado à alta concentração de gatos com acesso à rua, ambiente de fácil transmissão do fungo, além da maior circulação da espécie mais patogênica do fungo, o Sporothrix brasiliensis. Cidades como São Paulo registraram aumento expressivo de casos felinos notificados nos últimos anos.

O tratamento da esporotricose em gatos é gratuito?

Não de forma nacional. Não existe um programa federal amplo que garanta o tratamento gratuito em todo o país, mas alguns municípios oferecem o medicamento de forma gratuita mediante receita veterinária, e em determinadas situações a Vigilância em Saúde Municipal pode avaliar a liberação do medicamento para tutores sem condições financeiras.

Cães também pegam esporotricose?

Cães raramente adoecem com esporotricose, mesmo tendo contato com um gato infectado, e dificilmente transmitem a doença para humanos ou outros animais, ao contrário dos gatos, que são o principal elo de transmissão da doença.

Quais sinais indicam que devo levar meu gato ao veterinário com suspeita de esporotricose?

Nódulos na pele que evoluem para feridas abertas, com secreção e que não cicatrizam, especialmente em gatos com acesso à rua, são sinais de alerta que justificam avaliação veterinária imediata, já que o diagnóstico e o início precoce do tratamento influenciam diretamente as chances de cura.

Conclusão

A esporotricose felina segue em expansão no Brasil, com aumento expressivo de casos em cidades como São Paulo e reconhecimento oficial do avanço da doença pelo Ministério da Saúde em 2026. Como se trata de uma zoonose, o cuidado com gatos doentes exige atenção redobrada tanto para a saúde do animal quanto para a de toda a família. Diante de qualquer lesão de pele suspeita, principalmente em gatos com acesso à rua, a avaliação de um médico-veterinário o quanto antes é o passo mais importante para aumentar as chances de cura e reduzir o risco de transmissão.

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Conteúdo editorial independente. Valores citados são médias apuradas na data de publicação e podem variar.

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